Junho 23, 2011

23 de Junho de 2000.

Já com a mala feita para viajar bem cedo para uma vida nova no dia a seguir, decido ir para a noite de S.João com um amigo. Foi das noites mais esquisitas da minha vida. De certo modo vi o Porto pela primeira vez e senti a saudade a bater mesmo antes de ir embora. Dei por mim a pensar que tinha passado 25 anos da minha vida ali e, de facto, não conhecia a cidade. Havia tanto para descobrir e eu ia embora! E a mágica noite de S.João, que tantas vezes troquei por um jogo de computador, um filme ou outra coisa sem importância ganhava agora uma importância infinita...

Ao longo de 11 anos em que passei fora de Portugal (e nunca voltei para o S. João) este era o pior dia do ano. Ao ponto de evitar tudo o que fosse notícia ou reportagem sobre o S.João.

Regressei a Portugal a 20 de Abril, mas é hoje durante a festa de São João (que vou pela primeira vez partilhar com a Martuska), que vou finalmente regressar a casa.

Durante a minha estadia no estrangeiro, acabei por criar este blog. Houveram várias razões que me levaram a fazê-lo. Tinha acabado de perder o emprego que me tinha levado a sair de Portugal, precisava de libertar algum daquele stress acumulado e precisava acima de tudo de ganhar uma voz, que sentia estar a perder... e claro... a moda dos blogs estava a arrancar... pareceu-me uma boa forma de gastar o meu excessivo tempo livre. Falar do que gostava e do que não gostava e partilhar essas experiências essencialmente com os amigos. Apesar de o blog ser público nunca coloquei um contador e nem sequer andei a investigar quem me "lia". Era secundário.

Não demorou muito a arranjar um novo (e melhor) trabalho, que até hoje mantenho. O tempo livre encurtou, mas a minha vida entrou numa montanha russa de viagens, encontros e desencontros... e este blog foi atrás de mim. Por isso quando olho para os textos aqui publicados, é quase como um diário... apesar de eu raramente ter mostrado aquela veia intimista normalmente associado aos diários.

E agora chegou a hora de fechá-lo!

Fecho-o principalmente por respeito a este meu "amigo" blog. É verdade que o traí com o outro "amigo"... o Facebook. Mas essencialmente, sinto neste momento que estou muito perto de quem gosto e que é infinitamente mais interessante partilhar experiências à volta de uma mesa, do que escrevendo aqui.

Por isso meu "amigo" blog, desculpa ter-te abandonado...

It's better to burn out than fade away, cantava Neil Young... por isso está na hora de queimar antes que desapareça.

Obrigado a todos os que comentaram e fizeram disto uma experiência mais engraçada e a todos... concerteza que sabem onde "páro"!

Hoje, sou essencialmente um homem feliz, casado com uma mulher maravilhosa e com uma filha que é a minha mais deliciosa loucura. Tenho uma família que adoro e alguns amigos daqueles que estão sempre lá... nada mais importa.

Grande abraço
Vitor Jobling

THE END!

Abril 04, 2011

Março 08, 2011

Bom Dia da Mulher


Dezembro 31, 2010

Então esse 2010?

Hoje chega ao fim mais um ano...

Pessoalmente foi um ano bastante positivo, como não podia deixar de ser, já que estive sempre acompanhado das minhas lindas princesas. Tanto uma como outra cada vez mais bonitas. Amo-vos!

Profissionalmente foi assim-assim... já tive anos melhores e piores...

Mas o mais importante de 2010 é que deixou a semente para muitos sonhos serem realizados em 2011, muitos desafios cativantes... a nível pessoal e profissional...

Por esta altura costumo fazer uns TOPs com os melhores do ano, mas este ano vou ser mais sintético.

Na música foi ano de concertos U2, o que é sempre sinal de muita alegria e diversão entre amigos. Meses depois, ainda estou convencido que o concerto de 2 de Outubro em Coimbra foi o melhor que vi em toda a minha vida. Mas 2010 foi o ano dos The National. "High Violet" é absolutamente genial e é para mim o grande álbum do ano. Para fechar um TOP 5 à pressa colocaria "Lisbon" dos The Walkmen, "Forgiveness Rock Record" dos Broken Social Scene, "The Suburbs" dos Arcade Fire e "The Promise" de Bruce Springsteen. Não posso deixar de lembrar do último álbum de Johnny Cash "American VI: Ain't No Grave" e da brilhante reedição de "Station to Station" de David Bowie.

Nas séries de TV, um dos hobbies favoritos cá em casa... diria que há 3 séries que me têm puxado mais que as outras: Dexter, Modern Family e House M.D., e claro que tenho que deixar uma referência a Boardwalk Empire, uma série à parte a nível de qualidade, mas que infelizmente ainda não tive oportunidade de a ver toda. E claro, 2010 foi o ano do fim de Lost! Só por isso já seria especial!

Nos livros, fiquei viciado em Stieg Larsson, delirei com "Marina" de Carlos Ruiz Zafón e rendi-me mais uma vez a Yann Martel entre clássicos de Luis Sepúlveda e Somerset Maugham e os cada vez melhores livros de João Tordo.

No cinema, não vi muitos filmes... passei praticamente todo o ano a ver os filmes nomeados aos Globos de Ouro e aos Oscars, ou seja, filmes de 2009. As raras boas excepções foram "Shutter Island" e "Inception", dois filmes que provavelmente farão parte da noite dos Oscars daqui a um par de meses. Mas 2010 foi o ano em que vi, FINALMENTE, uma comédia a sério... "Hangover" é de 2009, mas marca o meu 2010...

E pronto... foi o meu post sintético mais analítico de 2010... lolololol...

Bom 2011 para todos os leitores deste blog...

"Män Som Hatar Kvinnor"

Depois de ter lido de uma assentada e num abrir e fechar de olhos a triologia Millenium de Stieg Larsson, tive que esperar alguns meses para finalmente ver a versão cinematográfica do primeiro livro "Män Som Hatar Kvinnor", em português: "Os Homens que Odeiam as Mulheres"...

Esperei heroicamente que a Martuska acabasse de ler o livro para podermos ver o filme. Ainda fresco na memória, existiram durante o filme alguns comentários do género, "isto não foi exactamente assim", ou, "não deviam ter cortado aquela parte". Com a necessidade de comprimir 500 páginas em 2 horas, é inevitável que algo se perde, mas no fim fica a impressão que o filme é MUITO bem conseguido e que por si só sobrevive com um excelente policial/thriller.

Agora é esperar que a Martuska acabe os próximos dois...

Altamente recomendável, para quem leu e para quem não leu...

Bruce Springsteen "The Promise"

Um novo velho álbum... ou um velho novo álbum?

"The Promise" é uma colecção de outtakes mais ou menos inéditos de "Darkness On the Edge of Town" que nem sequer é dos meus álbuns favoritos de Bruce Springsteen e o que impressiona é como (1) "The Promise" soa melhor que "Darkness...", (2) a música continua fresca quase 35 anos depois (as gravações são de 1977/78) e (3) como será possível que Springsteen tenha deixado temas como "Because The Night" (na realidade já conhecido pela boca de Patti Smith), "Fire" (também já editada na versão live), "One Way Street", "Breakaway", "Outside Looking In", etc, etc, no baú até ao momento.

Não fosse "High Violet" e este seria o meu álbum de 2010... eu sei que seria um bocado batota, mas é um grande álbum...

Dezembro 24, 2010

Feliz Natal

Esta é altura do ano em que vou ao google e faço a famosa pesquisa anual... "blue christmas"! Numa época tão avermelhada, há que colocar um bocado de azul no meu post de Natal.

Este ateu que vos escreve pede desculpa pela apropriação de uma festa religiosa, mas realmente é uma altura do ano que gosto muito, porque é aquela que me permite estar perto da família, e agora com a presença da minha filhota linda, a celebração ainda tem mais brilho.

A todos vocês independentemente das vossas crenças, um Feliz Natal!

1 ano!

Na passada 2ª feira a Eva completou o seu primeiro aninho de vida e teve direito a uma festinha de aniversário rodeada de familiares e amigos.

Como se pode ver na fotografia do lado esquerdo, adorou toda a atenção e não se cansou de rir, dançar, bater palmas e entrar em todas as brincadeiras.

A adrenalina foi tanta que desde essa noite que em vez de dormir, só quer é brincadeira durante a noite, por isso de certa forma estamos a reviver as aventuras de há um ano atrás... mas desta vez em vez de cólicas e biberões, temos risota, dança, palmas, etc...

Que este segundo ano, seja tão bom como o primeiro. O seu desenvolvimento tem sido fabuloso e é fabuloso acompanhar o crescimento desta menina linda.

Sou uma pessoa cheia de sorte...

Dezembro 07, 2010

The Walkmen "Lisbon"

Oh hazy, lazy days
I could dream of you forever
Under the shade of a Juniper tree
I sing a sad song of you and me

Ui! Ui! Ui!

Quando no ínicio de 2009, dei de caras com o anterior "You and Me", os meus ouvidos abriram-se para os The Walkmen. E anteriormente os meus ouvidos estavam literalmente fechados... é que por mais que uma vez tinha-me cruzado com a música destes nova-iorquinos (ok... também há pessoal de Philadelphia... que é mesmo ali ao lado) e não sei bem porquê, nunca lhe tinha prestado a devida atenção...

Foi por isso com grande expectativa que esperei o "álbum seguinte". Quando soube do título ainda mais expectante fiquei. E se a primeira ouvidela me deixou convencido... a segunda deixou-me em delirio... e todas as seguintes fizeram de "Lisbon" um companheiro de viagem constante.

"Lisbon" não é sobre Lisboa, mas de alguma forma a melancolia típica dos portugueses está em muitas partes de "Lisbon"... e toda aquela música hipnotizante da qual eu não quero me afastar de maneira nenhuma...

Um dos discos do ano... aliás... para ser sincero... melhor que isto... este ano... só mesmo os The National!

Carlos Ruiz Zafón "Marina"

Zafón emociona-me...

O catalão é um contador de histórias sublime. "Marina" transporta-nos de novo por uma Barcelona cheia de fantasmas do passado, de histórias de amor e tragédia, de cheiros intensos, da monstros cheios de humanidade, e de humanos cheios de monstruosidade.

Escrito e editado antes do genial "A Sombra do Vento", "Marina" é um romance muito mais adulto do que eu estava à espera. Felizmente que finalmente foi traduzido para Português. Também felizmente que comprei a edição da FNAC com 3 contos que de certo modo são o prelúdio de "Marina" e que adorei.

Zafón escreve na nota introdutória que quando acabou de escrever "Marina" sentiu que tinha perdido algo dele próprio para sempre... não sei o que ele perdeu, mas perdoem-me o egoismo, nós ficamos certamente a ganhar.

Que o próximo romance saia rapidinho... e já agora que a "Trilogía de la niebla" seja editada brevemente em língua portuguesa. Tendo em conta as edições que têm saído em inglês não demorá muito a chegar à nossa língua.